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Poemas do Professor: Amanhã - Hay-Kay - Drink da Morte - Mãe - Retrato da Vida Moderna - Sabe - O Brilho Prateado (Você me Conhece)

Anagramas ou Palíndromos

 Cacografia e Cacofonia

    Pelo princípio lógico, a palavra só tem verdadeiramente sentido, quando no contexto, inserida na oração e precisamente encaixada de modo que não se esbarre à outra palavra ou sílabas seguintes, causando, assim, um cacófato brando, pornofônico ou pornográfico.

         Por isso, é preciso evitar tais construções como:

         - Vi  ela  na estrada.

         Pois, “Viela” é um caminho estreito e o diminutivo de  “via”.

         Há também a forma  “Vi-la” na estrada

         Na linguagem culta, de acordo com a   NGB (Normas Gramaticais Brasileira) está correto, muito embora alguém use a forma ( Via-a), entretanto pela regra: “Todo verbo transitivo direto terminado em  r, s  ou z  receberão o alomorfe  [éle] no pronome oblíquo [o], portanto, “Vi-la” está correto, porém, “Vi-la na estrada” vai dar um outro significado, cuja semântica oral interpretará como :   reunião de casas .

         Portanto, para ser mais sensato, preciso, além de tudo, claro. A construção mais apropriada, neste caso, é:

         “Eu  a  vi na estrada”, ou ainda, “Vi Maria na estrada”. Contudo, na dúvida, aceite a primeira forma: (Eu a vi) construção mais correta e também, para  evitar construções cacofônicas do tipo: Eu vi Ana..., Eu vi Antônio..., Eu vi Déo..., Eu vi Lalá...

         Nessa mesma linha visionária, segue as construções do tipo:

         “Amar ela é meu destino.”

         Amarela é a cor designativa do desespero. É sensato que  o semantema contido na frase  “Amar ela” represente a idéia de amar em desespero.

         O correto, de acordo com a NGB, pela regra mencionada anteriormente é : “Amá-la é meu destino”

         Mas, o que me diz da frase:

         “Não case com ela sem  a  mala.”

         Onde “a mala” pode estar sendo empregada tanto no sentido denotativo, quanto no conotativo.

         O   correto e também e mais sensato é usar o pronome de tratamento “você” no lugar do pronome reto. (Amar você é meu destino).

 

   E, se neste  caso ocorrer uma construção com  mesóclise, com o verbo amar no futuro do pretérito.

            “Amá-la-ia na viagem se tivesse embarcado”.

           Correto, apenas uma leve confusão com a idéia de que a mala seguia na viagem, menos pior que a forma: “Eu amaria”, então: Eu a Joana..., Eu a Célia..., Eu a Carla...

         Tais  construções, apesar de causarem uma dupla interpretação estão corretas e o mesmo se vale para:

            Fiz ela    = Fi-la...........(alinhamento indiano com um atrás do outro)

            Quis ele = Qui-lo..........(medida de capacidade)

            Pus ele   = Pu-lo...........(ação de saltar)

            Faz  ela  = Fá-la............(usar das cordas vocais)

 

      Outros exemplos de cacofonia e cacografia, embora alguns estejam corretos, devem se evitar, pois são absurdos, traduzindo-se a sentidos pitorescamente hilariantes e ridículos:

           Observe a grossa lista:

 

Formas  Cacofônicas:

-A bela, foi-se. Não mais a quis.         

-A equipe cão saiu vencedora nos jogos.

-A mula tinha dois pés coxos.

-Ali se come bem.

-Amigo é pra acudir outro.

-Apanhou um porrete e foi pá nela.

-Aqui é a biblioteca dela.

-As leis, como as concebo, não serão inúteis.

-Bar “Quitéria”.

-Beba do Chope.

Brincando, brincando, aumentou em quase 12% o preço do tomate. Toma te!     

-Cadê ela?

-Caminho de paca, tatu caminha dentro?.

-Comi da feijoada.

-Deixa folha do tipi cair, qu’eu faço um chá pra você dormir.

-Dr. Sequeira, sente-se!

-Deixa eu ver.... (a pronúncia rápida sai: “dechover”.)

-É difícil...

-É lei lá.

-E levarei ao moço todos os dias.

-É para estar lá às 13h.

-É tu quem  mais caminha.

-E tu...?

-Ei-la lá, não disse!

-Ela trabalha na cozinha do restaurante. Assa pato.

-Ela virá à noite

-Ele está encurralado.  Vá  acolá?

-Ele estava a cavá - lo no quintal.

-Ele, Leão.O rei das selvas. Eu, Javali.

-Errou lá.

-Estavam ali: Papai, Eva e Adão.

-Eu amo ela.

-Eu comi lá, tainha.                 

-Eu compro um quilo de carne. Se eu cozinho, é meu?

-Eu tô pra vida, assim como o sistema tá pá ciência.

-Falei a respeito da Ribamar .

-Fé de mais não cheira bem.  (título de um filme  de  comédia-satírica)

-Fé de um povo na rua

-Foi algo maldito. ou mal dito?

-Ficou ali a contar - me nada.

-Foi um “bum” daqueles.

-Isso é marca dela.

-Isso é para ti.

-Já ta  tu também, aí!

-Jacaré no seco anda.

-Leia o parágrafo “D” e faça um comentário.

-Matou por tão pouco!

-Menina, essa cola mata.

-Meu coração por ti gela.

-Meus afetos por ti são.

-Mil meu, com mil teu.

-Mas só que numa obra inacabada

-Não vá cair!.       

-No topo do vulcão é ali que o cume arde.

-Nunca ganhei na loteria.

-O babá cão toma conta das crianças no parque.

-O mito para todos.

-O mofo deu na gaveta.           

-O namorado falou acerca  dela.

-O que lá tinha?

-O seu Tatá tá?.

-O time já está classificado.

-Ouviu por rádio. 

O morro do alemão....(a ler mão).

-Passou a mão no que encontrou ao -lado e foi-se nela.

-Por cada beijo um tostão.

-Por tal razão...............(portal).

-Qualquer coisa, ocupe o amigo

-Que time é teu?

-Quem fez demanda  com o demo anda.

-Rodolfo deu tudo e Adolfo deu mais.

-Sal dá de dez.

-Se estiver me entendendo

-Se eu quero ! Venha já cá e deixe cajá que gosto muito.

-Se for mal.

-Se senta , por favor.

-Se vai me convidar  para jantar, eu vou . Mas não como desafio.

-Seu Antônio marca gado.

-Sinto - me já em teus braços .

-Tá tu rindo.

-Tem Skol lá dentro.

-Tico mia no quarto.

-Toca nela, por favor!

-Toco cru pegando fogo.        

-Todos estiveram na festa de  coroação do Príncipe Nico.

-Tu viu ela lá?

-“Talco no salão”.....[ estrofe de música popular ]

-Uma mão lava outra.

- Vai da fé de cada um.

-Vá lá .

-Vá pôr no quarto, meu filho. 

-Vaca, galo, cachorro...

-Veio comer da galinha.

-Veio por razões ignoradas.

-Veja onde esta Cione.

-Vem cá, Graça.

-Ver-me só é intolerável.

-Vim te buscar.

-Você viu o brinco que ela tinha?

-Vou me já ir.

-Veio da Nação............(danação).

- Uma chuvinha nas costas, hei?

- Itaipu tinha mulheres

- Itaipu taria melhor se nós...

I - Dizem que aconteceu

 

         Dois matutos se encontraram, após meses que não se viam e um perguntou ao outro:

         - Como o pessoal lá tão, cumpade!

         E o outro lhe respondeu:

         - Bão, e mandam lembrança cá pá todos.

 

II - Dizem que aconteceu

 

      Era um sujeito chamado  Manoel  Buce  Morgado, especialista em consertar de tudo e que todos só o conheciam por “Seu Buce”.

         Um dia, um sujeito precisando dos seus serviços, foi até a casa de Seu Buce, onde na ocasião encontrava-se apenas sua senhora de pouco mais de sessenta anos:

           - O seu Buce tá?

           - Não. - Respondeu a doce senhora.

           - E as filhas do seu  Bece tão?

           - Ele não tem filhas. - Disse a mulher.

           - Ah...! Me desculpe, mas eu pensei que o seu Buce tinha.

           Então, se despediu dizendo que voltaria.

         Horas depois, eis  que  o seu  Buce chega e sua companheira então lhe fala:

         - Manoel, ocê precisa trocar esse nome , porque esse tal de “Buce”, tá gozado.

 

            Algumas palavras usadas em determinadas frases são confundidas com suas parônimas: 

 Não dá para estar lá no horário......................(estalar)

 Devo portá - la no bolso................................(pôr tala)

 Foi safado no último instante.. ......................(particípio de o verbo safar-se)

 Ela levou comprimido na bagagem................(particípio de o verbo comprimir)

         Assim acontecem em determinadas frases, cuja semântica    e    a polissemia se encarregam de esclarecer:

                    

         Semântica: Parte da gramática que estuda o significado da palavra.

        

         Polissemia: Palavra que, conforme o contexto, exerce inúmeros significados.

          Ficou acordado entre nós.

                    l - sem dormir

                   2 - de acordo

                    

          João pé-de-vento

1-corre igual a um pé-de-vento

2-pede vento.

 

                    Sal a gosto.

                          1-ao seu gosto

                          2- “agosto”, marca ou mês

 

                     No chão frio, coitado. Caído ali ficou.

                         l-dó, sentimento de piedade

                        2-particípio passado do verbo “coitar”

                

                     Eu rio, você não.

                                         1-comparado a um rio

                                         2-presente do verbo “rir”

                

                   Num suspiro aliviado.(Chico Buarque)

                 1-particípio passado do verbo “aliviar”

                 2-sinonímia de “ali veado”

                 

        Pai, afasta de mim esse cálice, pai.(Fábio Júnior)

                        1-taça onde é servida bebida

                        2-sinonímia de “calar-se”.

          Amar-te é meu destino

                                        1-amar a ti

                                        2-ir a marte                  

 

         Você não gosta de verdura?

                     1-verdura (vegetal)

                     2-ver dura (ver maciço, sólido)

 

                 O computador não conversa . Computa.

                                        l - computa, ato de computar

                                       2 - com puta (mulher de zona)

         Ainda ventila a dor no coração 

                l-sentimento pesado no coração

               2-verbo ventilar

                

               Ficou confinado ao quarto

                            1-fechado, isolado, trancado

                            2-com o falecido

                 

                     Quem dá ao pobre, empresta  a  Deus   

                          1-Ao  Criador

                          2- dar adeus, para nunca mais                              

                 

Ele chegou com memorando .

        1-com o memorando (documento)

                 2-comemorando (festejando) 

            Eu sou um cara tentador.

             1-simpático, irresistível e que chama a atenção

             2-que vive tentando

 

       Por isso, não se espante se um dia, procurando saber algum acontecimento, você perguntar:

         - O que Houve ?

         E algum engraçadinho te responder:

         - A Rádio “Jovem Pan”

 

   Noutras construções, o uso da polissemia  e da semântica é comum, categoricamente usado em poesias, no entanto, não podem ser confundidas com cacofonia, como nos exemplos abaixo:

         “U m  canto  para o menino do canto.”

      Alguns nomes próprios de  pessoas famosas dão até para  montar um engraçado trocadilho.

         Observe:

 

     Você  esteve na festa?...................         Adriana Esteve.

      Você quis o Herculano?.................A Cássia Kis.

      Você se acha bonita?         ...............O Miguel Falabela.                     

      Você colhe flores no jardim?...........O Fiocoly.      Você rio de minhas piadas?...............A Demo Hio.

      Você demorou no quarto?...........O Jacques Cousteau.

III - Dizem que aconteceu

 

       Uma senhora estava num ponto de ônibus em Belém do Pará e, vendo um se aproximando  e, sendo meio cega , dirigi-se a um rapaz e pergunta:

       - Que ônibus é esse, meu filho?

       - É “Telégrafo”, dona. Respondeu o rapaz. (Bairro de Belém do Pará)

                                                                 

IV - Dizem que aconteceu

       

         Certa vez perguntaram a um jovem que estava preste a viajar, por que não amava mais a  garota, com quem percorrera toda Europa.Sua resposta curta, porém sincera, foi:

         - Ama - la - ia se ainda tivesse dinheiro...

         A ironia de tudo, era que viajava na ocasião sem  bagagem alguma.

 

Os  Números

         

         A professora explicava matemática e deixara um exercício no quadro-negro. Após alguns minutos, chama os alunos:

            - Um, dois e três venham ao quatro-negro resolver as questões.

            Os dois resolvem, mas o terceiro desculpou-se:

            - Cinco muito, professora, mas não seis.

            - Então, sete-se. Diz a professora e chama outro.

            -Oito, venha você.

            -Novemente! - reclamou o aluno.

           - Ah ! Eu dezisto. Finalizou a professora..

 

V - Dizem que aconteceu

 

         Um garotinho, certa vez visitando um Zoológico de São Paulo, chegando próximo do cercado das emas com um pedaço de pão na mão estendida diz:

         - Ema, toma! Ema,  toma!

 

VI - Dizem que aconteceu

        

Ela, uma moça bonita que se chamava Gina, porém muito acanhada, mas a ironia do destino lhe pregou uma.

         Um dia, ao ser chamada em um palanque para receber uma homenagem, e com o problema da timidez ,recebeu o apoio de todo público dizendo:

         - Vá ! Gina. Vá ! Gina. ...

 

VII - Dizem que aconteceu:

 

         Um homem viajava de avião sobre os Estados Unidos e pediu cordialmente à  aeromoça que lhe avisasse quando estivesse sobrevoando Boston

         Entretanto, no exato momento, o cavalheiro se encontrava no reservado da aeronave. A aeromoça, sentindo-se na obrigação de lhe informar, bate na porta com três toques:

         - Moço, Estamos passando sobre Boston.

         Lá de dentro, uma voz agradecida e espremida, retorna:

         - Eu sei, mas agora quero ver Chicago

 

VIII - Dizem que aconteceu:

 

       Uma moça, no programa Sílvio Santos, estava em dúvidas, diante do montante de dinheiro que lhe era  oferecido para continuar a brincadeira. De quebra, como sempre, o público a incentivava:

         - Continua, continua, continua...!

         Sílvio Santos, o apresentador, então comenta:

         - Conte, se quiser. Mas não nua.

 

IX -Dizem que aconteceu:

 

         Eram dois garotinhos que viviam sempre competindo entre si e, em todas as brincadeiras elogiavam suas próprias jogadas e isso causava discórdia, briga e chateação.

         Um dia, um deles, o mais esperto, já aborrecido com seu amigo que só queria ser o melhor, disse:

         - Você é tão bom assim, então: Vê se saca como eu saco no vôlei. Vê se brinca como eu brinco, mas não pinta como eu pinto e nem prega como eu prego.

 

X - Dizem que aconteceu:

 

         Era uma vez um homem chamado João que, no serviço, só vivia no computador e, por isso, todos o chamavam de : João - Computador.

         Um dia, ao chegarem na repartição, deram por falta do João. Não tinha ido trabalhar naquele dia.

          Motivo : Estava com puta dor.

 

XI - Dizem que aconteceu:

        

         Encontravam-se num bar dois cidadãos bebendo, quando o garçom traz uma cerveja por um deles pedida. Aí, o mais espeto, passando a mão em seu  órgão genital,  diz:

         - Essa é tua, a próxima que entra é minha.

 

A Polissemia

        

         As polissemias na língua portuguesas são uma constante, e alguns escritores fazem uso deste recurso para deixar bem claro o que querem dizer, ou ainda, para não deixar bem claro o que dizem.

 

          Como podemos constatar, a cacofonia é a junção de palavras formando outra de sentido torpe, ridículo, obsceno ou apenas desagradável

          Algumas outras palavras interagem na frase, causando um outro sentido que pode ser considerado de pura cacofonia, ou simplesmente, um caso de polissemia, como podemos ver a seguir.

 

         Chegou a prima Vera.

 

       Sexo! É muito bom, mas para mim o que influencia é a umidade, pois tudo é  questão de uma idade.

 

           

            Semântica: É o estudo do significado das palavras, que nos explica a origem e as variações da significação vocabular.

            Ambigüidade: É o duplo sentido que certas frases têm, em virtude da utilização de determinados vocábulos.

 

         Não se deve confundir a polissemia com a ambigüidade, que se trata de um caso a parte, onde frases formuladas se confundem aos sentidos propostos.

 

         Ambigüidades são frases que apresentam, às vezes, mais de uma estrutura sintagmática (de acordo com o sentido, as palavras podem exercer outra classe gramatical) ou ainda mais de uma interpretação semântica, ficando, portanto, confuso sua idéia, não trazendo clareza, e sim, confusão, como podemos exemplificar:

         Ex.:   

         1- O homem perguntou à mulher o que seria do seu filho.         (filho de quem?)

        

         2- O homem estava debaixo da mesa que tinha a perna quebrada.      (quem tinha a perna quebrada?)

         3- Eu vi um elefante andando na rua.

                   (eu ou elefanta andava na rua?)

         4- Antônio saiu com sua mulher.

                   (mulher de quem?)

         5- Eu amo e namoro Heleno.                      

                                      (amo Heleno e namoro ele? ou amo outra pessoa e namoro Heleno?)

 

         6- O pai pensava no filho fumando.

                                      (quem fumava?)

         7- O gavião comeu a cobra no seu ninho.

                                      (de quem era o ninho?)

         8- A linda cobra do rapaz.

                                      (cobra, verbo ou subst.; linda, adjetivo ou subst.?)

         9- A bela ama a receita.

                          (ama, verbo ou subst?; a,artigo ou pronome?; receita,substantivo ou verbo?)

 

         10- Eu gosto e amo Márcia.

                                 (gosto da Márcia e a amo? ou goste de outra e amo Márcia?)

 

         11- Seu filho estava no campo com meninos usando droga.

                                    (ele participava? ou somente olhava?)

         12- Vende-se cerveja em lata gelada.

                                    (quem está gelada? cerveja ou somente a lata?)

         13- O homem pensava sentado na rua. (???)

 

         14- Aconteceu no primeiro mês, o segundo foi no quarto.       (que quarto?).

         15 – O médico, depois do exame, disse a à paciente que esperava um nenê. (quem esperava o neném: o médico ou a paciente?)

 

XII - Dizem que aconteceu:

 

          Um sujeito teve seu carro roubado e, indo até a D.F.V.(Delegacia de Furtos de Veículos) dirigiu-se ao escrivão para fazer uma ocorrência, onde o agente então lhe pergunta:

             - Diga marca e placa do seu veículo roubado.

             O cidadão responde:

             - Besta, VKH - 0024.

 

XIII - Dizem que aconteceu

 

         E tinha aquela mãe cuja filha se chamava Eva e, numa dessas manhãs pediu a filha para coar o café, insistindo:

         — Eva, côa! Eva côa!

 

Existe:

         Na Conselheiro Furtado, rua da Cidade de Belém, Estado do Pará, bairro de Nazaré, há um bar, cujo nome de fantasia é  “CAÇAROLA”, entretanto, tal palavra está  separada propositadamente em : “CAÇA   ROLA”

 

         Era um sujeito chamado: Rolando Passos Dias Aguiar. O que ele fazia? Era um andarilho; dirigia caminhão.  

Nome  é  Nome

 

Você por acaso conheceu

Um contador chamado Romeu ?

Toda vez que errava

A conta, gritava:

“Erro meu! Erro meu! Erro meu!”

Inesperadamente, a minha tia Inês

Soltou na rua o meu cãozinho pequinês

Mas foi-lhe perdoado

Esse grave pecado

O padre só disse: “Nunca mais peque, Inês!”

Em que estação do ano

Nasceu Vera, a minha prima?

Essa até rima

Não tem engano

Nasceu na primavera

A minha prima Vera.

João Paulo Paes.

 

“Ora, veja como ela está estendendo as mãozinhas inexperientes para as chamas da vela” (Camilo Castelo Branco. “A queda de Um Anjo” p.102.)

 

“Alma minha gentil que te partiste.(...). [Luís Vás de Camões - Soneto dedicado a Dinamene*. 1o. verso do I quarteto]”.

 

          Há  ainda  alguns recursos utilizados pela gramática;  restritas à poesia.

      Construções estas que são comparativas, com efeitos desagradáveis que deve se evitar na escrita e na fala, pois se caracterizam também em semicacófatos.

         São eles:

 

         Eco : Repetição de sons iguais no final das palavras.

 

                   “É lento o movimento nesse momento”

                   “Próximo ao casarão de João tem um lindo caramanchão, cheio de corrimão.”

                   “Espero que a prova não seja já”

                    “Cidade dá de dez.”

                   “ Enrola lá, tá?”        

 

        Hiato : É a seqüência de vogais.

                    “Serei eu ou outro aluno”

                     “Ele chegou ao auge”

                     “Água já não  a  há”

                     “Sei o odor da flor”

 

         *Dinamene: Asiática amada por Camões que morreu num naufrágio

 

 

 

Um diálogo em Brasília. Resultado de uma imaginação fértil

- A faca era de Serra, não tinha como não cortar...

- E se fosse de Maluf?

- Aí se Marta...

- Então prepara a minha Covas...

- Mas depois Inácio outro pra te substituir...

- Vem cá, eu tenho cara de Palocci?

- Não, tá mais pra um Mercadante.

- Não seja tão Severino comigo..

- Mas você concorda que eu tô sendo Genoíno.

- Sim, mas você não pode se dirigir Amin desse jeito!

- Cada um tem a sua opinião, enquanto eu gosto de sol, você gosta de Neves e o Garotinho de chuva.

- Vem cá, você Quércia comer alguma coisa? Tomar um Café, Filho? Ou comer um pão com Requião?

- Não, quero alguma coisa mais consistente.. Lula a dorê viria a Calhares...

- Mas você é um Malan sem alça mesmo...

- Não vem com Lessa, perguntou agora agüenta!

- Fala mais Aldo que eu não te ouvi!

- Tá Buani, então...,  vamos comer uma pizza mesmo.."

 

 

Você me conhece?

 

Você esteve na festa?...................       Adriana Esteve.

Você quis o Herculano?.................A Cássia Kiss.

Você se acha bonita?   ...............O Miguel Falabela.

Você colhe flores no jardim?...........O Fiocoly.

Você demorou no quarto?...........O Jacques Cousteau.

Você quer furar a fila?........ O Juca Kfouri.

Você me viu na festa?............... Até o Clodovil.

Você faria papel de trouxa?........ A Betty Faria.

Você está perto de casa?...........O Silvester Stalonge

Você escova os dentes três vezes ao dia?......O Joãozinho Trinta

Você come pouco?.........A Marisa Monte

Voe já pescou algum peixe?........... A Cláudia Araia

Você já escapou de alguém?............. O Chiquinho Scarpa

Você fuma charuto?.............O Celso Pitta.

Você afirma que é bissexual?.........O Arnold Schuaznega.

Você gosta de fusca?.............. A Rita Cadilac.

Você já pulou algum barranco?....... O Luciano do Valle.

Você gosta de sopa?.......... O Carlos Massa.

Você gosta da cidade?.............. O Martinho da Vila.

Você acorda mais tarde?........... O Edir Macedo.

Você pinta paredes?............... O Jânio Quadros.

Você tem medo de fantasma?...........O Frankstein

Você usa o teclado?......... Mickey Mouse.

Você só aposta na quina?......... O Airton Senna

Você torce pelo flamengo?.........O Silvio Santos.

Você cria galinhas?............. O Paulo Coelho

Você gosta de chá gelado?........ O Clark Kent.

Você corta os cabelos?……... O José Serra.

Você usa telefone convencional?......... O Edson Cellulari.

A sua campainha faz bip?...............A de Bill Clinton.

Você mora em Goiás?............... O Tony Ramos.

Você já foi em Buenos, na Argentina?........O Jô Soares

Você rio de minhas piadas?...........O Damon Hill

Ah, que mal te pergunte:

O pai da Malu Mader é o Malu Fader?

 

 

Anagramas Perfeitos ou Palíndromos Perfeitos

            Os Anagramas ou Palíndromos são palavras que podem ser lidas de trás para frente e constituem-se na mesma palavra ou outra diferente

 

Os anagramas que de trás para frente se lêem as mesmas palavras ou frases são classificados de anagramas perfeitos (ANA). São raras as palavras que apresentam esta modalidade e frases, então, nem se conta, porém, aquelas que são lidas ao contrário e se vê a mesma coisa, como se vistas num espelho

Abaixo podemos apreciar uma relação delas:

 

Arara

A vala lava

Mim

Reger

Soros

Aérea

Anilina

Merecerem

Rapar

Socós

Abacaba

A Fifa

Missa é assim

Reler

Sagas

A capa e a paca

Ama

Ovo

Rotor

Sacas

A cama e a maca

A mima

Omo

Reviver

Solos

A lata e a tala

Ele

Osso

Sapas

Somos

A dor e a roda

Esse

O coco

Sedes

Sonos

Aboba

Erre

Oco

Sus

Salas

Aia

E tem e mete

O bolo e o lobo

Siriris

Sós

Ara

Mamam

Rever

Seres

Sairias

Aja

Matam

Rener

Sararas

Saias

Aba

Mutum

Radar

Sururus

Sopapos

Ata

Mês  e sem

Rir

Somemos

Sanas

Ala

Mirim

Reger

Somamos

Siris

A Fofa

Melem

Reter

Sãs

Socos

A casa e a saca

Metem

Ralar

Sebes

Setes

A dama amada

Medem

Raiar

Saras

Ururu

Frases que causam Palíndromos mais conhecidas

 As frases que se seguem darão um bom exemplo do que são os palíndromos ou anagramas, pois olhando-as de trás pra frente poderão ser vistos a mesma coisa.

 

A babá babA

A base desatola calotas e desabA

A base do teto desabA

A bola da lobA

A breve verbA

A camarada ia dar a macA

A cara rajada da jararacA

A cutucada cutucA

A cera causa a sua carecA

A cobaia vai à bocA

A comadre herda moçA

Acorde, PedrocA

A dama cai acamadA

A dama gamadA

Adias a saídA

A dica é ácidA

A diva em Argel alegra-me a vidA

A dor arretada terra rodA

A dose de sodA

A droga da gordA

A droga do dote é todo da gordA

Afaga pá e apaga fÃ

Agora sua causa rogA

A grama é amargA

Ah! Na manhA...

Aí, é legal, a geléiA

Aí rufa a fúriA

Alê e ele mamam ele e elA

Ali ela vacila e ali cava, Leila

Alô, bolA!

A maca adia a ida à camA

Amada dama, o dia cai. Dia caído, amada damA

A mala nada na lamA

Amar a muda duma ramA

À margem metem e remetem-me gramA

A Marta tramA

A matuta mÁ

Ame a emA

Ame o poemA

Ame o povo, poemA

A moda domA

A moderada mãe é amada redomA

A morte do galo no lago de TromA

Anis é resinA

Anita se desatinA

A nota é atonA

Anotaram a data da maratonA

Anotaram a maratonA

A porta rangia à ignara tropA

Após a sopA

A rara ararA

Arca sacrA

Argamassa magrA

Ari me mirA

Ari me tem irA

Ari vê o muro no rumo e virA

Arroz é zorrA

A rua pauta a tua paúrA

A sacada da casA

Assim a aia ia a missA

A sua pausA

Atai a gaiola saloia gaiatA

A tal atA

A tal latA

Até o poder do povo é ovo podre do poetA

Até o poetA

Até Reagan sibarita tira bisnaga eretA

Aterram moço com marretA

Ato idiotA

A tora na rotA

A torre da derrotA

Atraca a cartA

A trama da MartA

Atrever asa causa na sua casa: revertA!

A tropa na portA

A tua pautA

Aturar a ararutA

Aura da lua é aula da ruA

A vaidosa moça é de fé de aço, mas odiavA

A vara varavA

Avaro oravA

A vilã Sara salivA...

É, amor, eu quero mãE

E até o Papa poeta É

Ela vale!

Ela voava o valE

Ele, agora, roga e lÊ

Ele pode por acaso sacar o pé do PelÉ

É mui choro, dor. Oh, ciúmE!

E, na ideal lá e dia, nÉ?

É para lixar axilar à pÉ!

É Raul, luar É

Erda mó caso para a raposa comadrE

Errar gol é lograr rÉ

Erro comum ocorrE

É, tio, na Somália bailamos à noitE

Eu, uÉ...

Eva, asse e pape essa avE

Há o pito do tipo: AH!

Iná ria da IranI

Iná viajará já, Ivani

Ir lá matar rata mal, rI

Laço bacana para panaca boçaL

Lá na cabana, bacanaL!

Lá tem metaL

Leonor ama RonoeL

Levar odara e dádiva: a vida de ar adoráveL

Libânio, o inábil

Liga: se sobes sebos és ágiL

Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na Moda da Romana: anil é cor azuL

Luz azuL

Marujos só juraM

Me vê se a panela da moça é de aço,

Madalena Paes, e veM

Mirim, somos miriM

Morram após a sopa marroM

O alemão doa melãO

O ânimo domina-O

O ano do nãO

O azarado teme toda razãO

O baronato bota no rabO

O bolo do lobO

O breve verbO

O caso, eu que o sacO

O caso: sem ré herda pouco cu o padre hermes. O sacO...

O certo ar vil e me livra o trecO

O céu suecO

O cio na rapariga agirá paranóicO

O copo no poçO

Ódio do doidO

Ó, e reter o mar é ter amor etéreO

O galo no lagO

O gol! e logO!

Oh! Leva carta sem o dote

e todo mês atraca velhO

Oi, dê-me remédiO!

Olá. Grata, Mara. Passe na Vanessa para matar galO

O lobo ama o bolO

O mar de pedra mÓ

O medo do bar e rabo do demO

O mero remador roda mero remO

O mito aperta dama e amada trepa ótimO

O mito ótimO

O Momo cavalo lava com Omo

O namoro do romanO

O nó do donO

O pó de cocaína mata maníaco cedo, pÔ!

Orava eu na fila com o califa nu e avarO

Orava o avarO

Ore sim, míserO

O rio e ramo do mar e oirO

Oro com o corO

O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namorO

O rude é durO

O rumo do murO

O seboso sobe sÓ

O seguro só ruge sÓ

O soro pavoroso é o soro vaporosO

O tacapé é pacatO

O teu drama é amar duetO

O teu guetO

O tipo do pitO

Oto come doce seco de mocotÓ

Oto, me dê motO

Oto vê devotO

Oto vê dono de votO

O treco certO

O trote do bode tortO

O tutameia sai. É matutO

Ovo novO

O vôo do ovO

Ramon atlas erro comum ocorre salta no maR

Reter e rever para prever e reteR

Rezar pelo sol é prazeR

Rezo credo para poder cozeR

Rir é feriR

Rir: o breve verbo riR

Roma é amoR

Roma me tem amoR

Rola com o caloR

Sá dá tapas e sapatadaS

Saiba-se: Ocidepo trouxe Exu ortopédico e sabiáS

Sair e tolerar e... loteriaS!

Saíram o tio e oito MariaS

Saíram o tio Sá e as oito MariaS

Salta esse Atlas

Sapos mamam sopaS

Sauna: Há nuaS

Seco de raiva, coloco no colo caviar e doceS

Sem ré herda pouco cu o padre Hermes

Se vejo horas saro hoje, vêS?

Soa como caoS

Só a megera rege mãoS

Socorram-me em MarrocoS

Socorram-me, subi no ônibus em MarrocoS

Só lê seloS

Salta o açor e roça o atlaS

Social, soa a tema meta aos laicoS

Só renego gêneroS

Sós, reveses e teses. E versoS?

Sua paranóica vó ovacionará pauS

Subi no ônibuS

Tucano na CuT

Ué, ó droga, gordo eU?

Zé de Lima, rua Laura mil e deZ

  

Há ainda aqueles anagramas imperfeitos, cuja inversão se tem outra palavra, como são os casos dos seguintes vocábulos:

 

            Amor

A diva

Macas

O Lisa

Sonsa

Atira

Avon

Morram

Ora

Sair

Atlas

Atar

Meus

Olá

Sues

Ator

Aula

Massa

O nu

Saraiva

Amargo

Amam

Marreta

Orca

Sim

Asilo

Arava

Menu

Rota

Solar

Alô

Alam

Mela

Roma

Sina

A Vida

Acenos

Medes

Raro

Saibas

Após

Asila

Maratona

Ramo

Sarar

A dor

Aviar

Matem

Roda

Seiva

Arroz

Arval

Males

Rias

Selos

Avós

Aroma

Metam

Rara

Alume

Aluna

Missa

Rales

Sam

Amar

Evita

Noel

Raro

Somar

Atrever

Eiva

Nova

Rabuda

Saramos

Argos

Eles

Orem

Ramos

Sacode

Ages

Ema

Ocas

Rales

Acata

E docas

Oras

Rama

Sopas

Atraca

Eras

Os

Sopa

Servil

Avó

Em

O grama

Sedem

Sabias

Arre

Lana

Omar

Super

Saia

Aturara

Lâmina

Ótimo

Soma

Uno

Argolam

Leon

Orar

Suam

Zorra

Aro

Latem

O mito

Salta

 

A Rita

Me

Odor

Sereno

 

Além

Mas

Oval

Sapos

 

Animal

Malucam

Ora

Saro

 

 

Ainda há a possibilidade de haver uma terceira forma de apresentação de anagramas, quando fazemos as transposições de letras da palavra para dar outra, como se fosse um quebra cabeça, contudo há de convir que esse processo se realiza utilizando-se todas as letras da palavra, perfeitamente, como:

Natércia = Catarina

América = Iracema

Alice = Célia

 

O trabalho aqui apresentado é resultado de pesquisa campal, literária e gramatical.

feita pelo autor entre

O trabalho aqui apresentado é resultado de pesquisa campal, literária e gramatical.

feita pelo autor entre 1996 a 2004.

 

Amanhã

Amanhã, 

Se eu morrer.

Não chore minha morte.

Chore minha sorte.

Por eu haver morrido.

Porque:

Feliz fui

Um dia,

Em Paz,

Não volto mais...

  Autor:Heraldo Meirelles.

 

 

 

  

Hay-Kay Of Rose 

(Pequeno Poema para Rosa)

Antes,

Era Eu.

Hoje,

Digo Nós.

Antes,

Era só.

Hoje,

Falo Sós.

Você,

Eu,

Nós,

A Sós.

Autor:Heraldo Meirelles.

 

 

 

  

O Brilho Prateado

O brilho da prata

Que de teus olhos inflama

Redime meu superego

Enfeitiça, atrai-me e chama.

E queima e clama

Pelo fogo do amor

E meu silêncio reclama

De tão forte dor.

A dor e o grito

Silenciam-me a voz

Aperto-te em meus braços

Agressivo e feroz

E então aproximo

Meus lábios dos teus

Por uma atração energética e infinita

Explicada por Deus

E uma vez os dois

Coladinhos assim

Cerram-se os olhos

E o brilho prateado por fim.

Autor:Heraldo Meirelles.

 

 

 

 

Sabe

Sabe...

Se contemplares a tarde um dia

E notares que ela está triste

É a anunciação de que alguém

Num canto, sozinho, existe.

 

Se por alguns instantes o céu nublar

E o dia lindo, melancólico ficar

É a anunciação de que alguém

Num canto, sozinho, triste estar.

 

Se uma brisa fria

Tocar teu corpo inteiro

Como a uma carícia ofegante

É a anunciação de que alguém

Num canto, sozinho, sente a tua falta

E desfruta da solidão constante...

  Autor:Heraldo Meirelles.

 

Retrato da Vida Moderna

Ó, meu Deus...

Um outro dia eu me compadeci

Ao ver uma cena enternecedora.

Não. Não penses que assisti a uma chacina,

Mostrada por algum filme da Fox ou da Columbia Picture.

Antes fosse, meu Deus. Antes fosse...

O que presenciei, meu Deus,

Foi indescritível e humilhante

Algo ultrajante para mim e para nós...

 

Nunca pensei que coisa assim aconteceria hoje,

No final do século vinte

A era do modernismo,

Do avanço tecnológico

E da conquista espacial.

Tal cena chocante, jamais esquecerei.

 

O que vi, meu Deus!

Foi a fome,

Foi o lixo,

Foi o homem...

 

Um pobre e esfaimado mendigo

Teu filho, tua imagem, meu irmão...

Um homem em que mediante momento

Revirava em fúria, devido à fome.

A procurar entre o lixo, o escasso alimento.

E defendia com a vida, o pútrido achado.

Para que de outros não fosse roubado

Um homem ou um bicho?

 

Não pude me conter,

Chorei incessantemente

Na tentativa daquilo compreender

Ó, meu Deus...

Uma terra de grande fartura que era,

Cujo próprio Moisés dissera:

“Manar leite e mel”.

Hoje é uma “Selva de Pedra”

Cheia de amarguras e sofrimento

Uma terra dominada pelo egoísmo

Pela eucrasia e a ambição.

Onde ninguém dá mais valor aos teus legados bíblicos

De que valeu tua morte, então?

E, de que adiantaram tuas palavras,

Quando disseste:

“Ama teu próximo como a um irmão”.

 

Aquela cena...

Aquele homem esquelético em meio ao lixo

Fizeram-me lembrar você,

De seus ensinamentos.

 

Eu chorei, chorei...

Não porque tive dó,

Chorei porque tive ódio, dor,

Chorei porque senti raiva

Chorei porque não pude fazer nada

Chorei pela ignorância de meus irmãos

Os ricos, fidalgos, burgueses, cristãos.

 

Por não comparecerem, nem ajudarem.

Com tanta fartura, cercados de luxurias,

Fechados em seus apartamentos...

 

São tão egoístas que não se importam

Com o que deva estar acontecendo lá fora.

Não se importam com os outros; nossos irmãos.

Preocupam-se exclusivamente com suas vidas.

Em desfrutar de todo prazer.

 

Ó, Pai...

“Perdoai-vos, eles não sabem o que fazem”.

Deixai-os viver em seus castelos alusivos

Isolados em seus próprios mundos

Um mundo de orgia e de tamanho escarcéu.

 

Mal sabem os coitados:

“Que é mais fácil passar o camelo

Pelo buraco de uma agulha,

Do que um rico entrar no reino dos céus”.

 

Sejais justo, humilde e caridoso, lembrai  que tudo que possuirdes não vos pertenceis, apenas manténs sua guarda pela vontade de Deus, mas vós sereis chamado à presença dele para explicar como os administraste. Lembre-se disso!

Autor:Heraldo Meirelles.

 

 

 

 

 

Mãe

 

Mãe!

 E santa

Que em suplício

Canta.

Mãe!

É anjo

Que embala filho

Acalenta marmanjo

Mãe!

É boa.

Dá sempre amor

Mesmo que seja à-toa.

Mãe!

Pequena é a palavra,

Mas grande é o significado

Preenche todo espaço

Deste enunciado

MAE!  

Autor:Heraldo Meirelles.

 

 

 

  

 

Drink da Morte

 

O homem que bebe, quando toma seu álcool, ele não esvazia a garrafa.

Troca de lugar com ela.

O homem que bebe, quando retorna para sua casa, ele não chega.

Sai dela.

Todo homem que bebe, quando vai dormir, ele não adormece.

Desmaia.

Todo homem que bebe e se acomoda, ele não deitou.

Caiu.

Todo homem que bebe, quando desperta, ele não se acorda.

Saiu do coma.

Todo homem bebido, quando se ergue, não se levanta.

Arrasta-se.

Todo homem que bebe, quando volta a si depois do porre.

Ele finalmente retorna a vida.

Todo homem que bebe, se reconhecer o mal que a bebida provoca.

Ele é homem para jamais beber de novo.

Porque o homem bebido já não é mais um homem.

É um animal.

E já não tem mais um lar.

Tem um inferno.

O homem bebido é o diabo em figura de gente

E transforma seu lar num inferno.

                                                                                                                   Autor:Heraldo Meirelles.

e-mail: hejome@terra.com.br